Garfo rígido na MTB. Vale a pena?

Os prós e contras de pedalar uma MTB com garfo rígido

O uso do garfo rígido na MTB está relacionado a diminuição de peso total da bike na maioria dos casos, mas tem outras coisas que você deve considerar!

O garfo rígido na MTB reage mais ou menos como os garfos das road bikes, como não há movimentos verticais, comuns nas suspensões, é possível pedalar em pé em uma subida por exemplo, aplicando muito mais força sem perda energia com aquelas encolhidas da suspensão, e o ciclista ganhando tempo!

img_Orbea_Tunada

Nesta Orbea, a transformação da relação para 1×10 e instalação de garfo rígido reduziu seu peso em 1.800Kg.

Com relação ao peso, se o garfo rígido for de carbono a redução é muito grande, é o componente que mais alivia peso na troca. Seria necessário mudar todos os componentes da bike incluindo as rodas pra conseguir algo parecido, pois as suspensões hidráulicas para aro 29″ pesam algo entre 1,6Kg e 1,8Kg, e o garfo de carbono pesa 600Gr com eixo 15mm. Modelos em alumínio pesam um pouco mais, um garfo para bieks de passeio capaz de enfrentar trilhas leves pesa quase 1Kg.

img_Garfo_Aluminio_FIB_29

Garfo FIB em alumínio – bom para mobilidade urbana e trilhas leves.

Como a bike reage?

Usando esse tipo de garfo, a reação da bike muda, a frente fica mais leve e arisca, a bike pula mais, a calibragem deve ser menor, pra conseguir absorver com menos impacto as imperfeições do solo.

img_Orbea_Garfo_Rigido

Várias marcas já lançaram seus modelos de XC com garfos rígidos, como a Orbea Alma 2017.

Para trilhas e provas longas, 3, 4 horas de pedal, esse tipo de garfo pode ser cansativo, pois transfere muitas pancadas para os braços, causando em alguns ciclistas dores nos punhos, ante-braço e ombros.

Nova postura ao pedalar

Sua postura na bike durante um pedal na terra muda, com o garfo rígido você fica mais tempo fora do selim, mas não fica em pé também, fica na posição de “jóquei”, encolhido, quase apoiado no selim, e aqueles buracos e irregularidades que você ignorava, agora vai ter que tirar a roda frente do chão para passar, fazendo a famosa puxadinha da frente da bike, se mantiver a postura de antes, quando usava suspensão, as pancadas na frente vão te cansar rapidinho, e irá forçar muito toda a frente da bike, não só o garfo, mas também o avanço, guidão, caixa de direção e frente do quadro (head tube).

img_Garfo_Rigido_Postura_ao_Pedalar

Corpo baixo e recuado ao passar por obstáculos – ainda mais necessário com garfo rígido.

Se você faz trilhas e provas, escolha um garfo rígido confiável, não vai escolhendo pela beleza e preço, comprando qualquer “pechincha” que aparece nos anúncios aqui no Brasil ou na China com frete grátis, garfo é coisa muito séria, uma quebra mesmo a baixas velocidades pode ter consequências graves, você cai de cara no chão!
Tem muita marca boa de garfo rígido, mas eles podem custar tanto quanto uma boa suspensão, as mais conhecidas são Java, Exotic, Niner, Kinesis, Ritchey, Carver, Orbea, e outras.
Se o garfo for de carbono, dê preferência a um que utilize eixo de 15mm, a bike fica mais estável porque as gancheiras são fechadas, evitando movimentos laterais da roda, e eles são mais reforçados no geral.

img_Garfo_Niner_Eixo_15mm

Um bom garfo rígido em carbono utiliza eixo de 15mm, isso deixa a frente da bike mais estável e forte, além de ser mais seguro.

img_Orbea_Alma_M30_Garfo_Rigido

Conclusão

Na minha opinião, uma frente rígida vale a pena para alguns tipos de competição, para quem gosta de fazer manobras, pedalar em circuitos técnicos cheios de obstáculos e também para aliviar peso na bike.

Os garfos rígidos são uma boa experiência para quem quer conhecer o lado mais selvagem do MTB, afinal esse esporte nasceu assim, com esse tipo de garfo!

Bom pedal!

 

<a href="https://pedaleria.com/autor/educapivara/" target="_self">Edu Capivara</a>

Edu Capivara

Edu Capivara é Delegado Internacional do Biketrial no Brasil desde 1991 e introdutor do esporte em meados da década de 80. É amigo pessoal de Pedro Pi, o inventor do Biketrial e de toda a cúpula da BIU (Biketrial International Union) . Profundo conhecedor do mundo da bike, começou suas aventuras em modalidades como o BMX e o Mountain Bike no início desses esportes no Brasil. Já participou de campeonatos mundiais de biketrial pelo mundo todo, inclusive do primeiro, em 1986 na Europa.

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