Central com caixas externas

Antigamente, os eixos centrais eram motivo de preocupação para donos de bicicletas, seja nos modelos de estrada, nas BMX ou nas mountain bikes, pois eram sistemas sujeitos a folgas constantes, entrada de água, poeira ou lama que desgastavam eixos, caixas e esferas, além do próprio peso da peça em alguns modelos.

Algum tempo depois o problema diminuiu com o lançamento dos cartuchos selados, mais ainda eram pesados e com eixos finos, e uma nova fase iniciou quando surgiram os centrais tipos Isis e Octalink, resolvendo a problema do eixo fino mas diminuindo ainda mais o tamanho das esferas ou rolamentos, pois todo o sistema continuava dentro do quadro da bike.

O sistema de central com eixo square (quadrado), muito popular e ainda utilizado, principalmente em bicicletas de categorias passeio e esporte.

O sistema de central com eixo square (quadrado), muito popular e ainda utilizado, principalmente em bicicletas de categorias passeio e esporte.

No quadro, o diâmetro do tubo do central é de pouco mais de 34 milímetros (3,4 cm), espaço ocupado pelo conjunto do eixo do pedivela, ficando tudo bem compacto, impedindo o uso de eixos e rolamentos de maior diâmetro com maior resistência, assim, grande parte das famílias de componentes Shimano, não só os conjuntos para competição Cross Country, mas também Road, Freeride e Downhill e até a classe sport, se beneficiaram do modelo Hollowtech II, um conjunto de pedivelas e central com características de estabilidade no pedalar, rigidez e resistência sem igual.

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Nesse modelo, os rolamentos não ficam confinados dentro do quadro, sua “caixa” é externa, permitindo a utilização de um eixo “oco” de maior diâmetro (24mm), e claro, rolamentos maiores, resolvendo a questão da rigidez e da durabilidade, levando mais um item de bandeja, a leveza, pois o eixo central é integrado ao braço direito do pedivela, tornando todo o conjunto mais leve

Caixas de rolamento compactas e leves, para eixo de 24 milímetros de diâmetro.

Caixas de rolamento compactas e leves, para eixo de 24 milímetros de diâmetro.

Eixo oco integrado ao pedivela, mais estabilidade nas pedaladas com baixa manutenção e instalação simplificada.

Eixo oco integrado ao pedivela, mais estabilidade nas pedaladas com baixa manutenção e instalação simplificada.

Manutenção do sistema

Para cuidar bem desse sistema você precisa de ferramentas adequadas, logo de cara você se depara com uma tampa de nylon rosqueada no pedivela esquerdo, onde normalmente se coloca a ferramenta saca pedivela. Este conjunto não utiliza essa ferramenta, no braço do pedivela existem dois parafusos Allen que apertam a peça ao eixo central integrado, que após serem soltos, com uma pequena ferramenta de nylon você remove a tampa, que na montagem é utilizada para levar o braço do pedivela até o ponto certo, encostado na caixa.

Para fazer manutenção no Hollowtech II, utilize chave Allen, chave de nylon para a tampa, e soquete específico para encaixe no corpo do rolamento (caixas).

Para fazer manutenção no Hollowtech II, utilize chave Allen, chave de nylon para a tampa, e soquete específico para encaixe no corpo do rolamento (caixas).

A chave de nylon pode ser usada sem ferramentas de apoio, mas se precisar usar, o troque máximo é de 1,5Nm.

A chave de nylon pode ser usada sem ferramentas de apoio, mas se precisar usar, o troque máximo é de 1,5Nm.

Dois parafusos Allen seguram o braço do pedivela no eixo, com aperto de 12 a 14 Nm no torquímetro.

Dois parafusos Allen seguram o braço do pedivela no eixo, com aperto de 12 a 14 Nm no torquímetro.

Tirando essa tampa, basta puxar o braço do pedivela para retira-lo do eixo, e da mesma forma retirar o outro lado (direito) com as coroas e eixo integrado, uma operação muito simples se comparada ao sistema tradicional.

Para remover as caixas externas, onde ficam os rolamentos, utilize a chave apropriada, que pode ser uma espécie de chave de boca com entalhes específicos, ou soquete envolvente, que permite utilização de chave catraca ou chave inglesa, lembrando que a caixa do lado direito tem rosca “esquerda” e a caixa do lado esquerdo, rosca “direita”, é ao contrário mesmo, fácil de lembrar não acha? Com as roscas nessas posições, pedalamos no sentido do “soltar” o aperto, portanto, o serviço deve ser feito com muita atenção.

A chave soquete pode ser usada com chave catraca ou chave inglesa, mas existem outras chaves para esse sistema de fixação.

A chave soquete pode ser usada com chave catraca ou chave inglesa, mas existem outras chaves para esse sistema de fixação.

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O sistema de rolamentos é robusto mais não eterno, portanto acompanhe seu desgaste natural nas manutenções regulares, quanto mais andar e submeter a bicicleta a situações extremas como acontece no MTB, mais atenção deve ser dada não somente a esta peça, mas todos os componentes.

Soltando os parafusos Allen, o braço do pedivela sai na mão.

Soltando os parafusos Allen, o braço do pedivela sai na mão.

Fácil de tirar e colocar, o braço esquerdo do pedivela só encaixa em uma posição no eixo porque tem uma pequena área plana na sequência de entalhes, facilitando a visualização da posição.

Fácil de tirar e colocar, o braço esquerdo do pedivela só encaixa em uma posição no eixo porque tem uma pequena área plana na sequência de entalhes, facilitando a visualização da posição.

Se notar os rolamentos “pegando”, rodando com certa dificuldade, como costumamos dizer, “indexados”, quando é possível sentir que as esferas cravaram as pistas, e sentimos que existe um certo encaixe em pontos específicos da volta, substitua a peça.

Os rolamentos são selados por uma tampa composta de chapa e borracha, ela é colada e bem encaixada na peça, e para dar uma sobre vida a ela você é obrigado a remover esse lacre, perdendo parte da proteção contra água, e trocando a graxa você ainda roda algumas dezenas de quilômetros antes de substituir de vez.

A blindagem dos rolamentos é colada, após sua abertura haverá perda da capacidade de vedação nos casos de submersão ou lavagem da bicicleta.

A blindagem dos rolamentos é colada, após sua abertura haverá perda da capacidade de vedação nos casos de submersão ou lavagem da bicicleta e também a garantia fornecida pelo fabricante. Esse procedimento NÃO é recomendado pela SHIMANO.

Na hora da montagem, reponha os partes respeitando o lado e sentido das roscas conforme descrito acima, encaixe o pedivela direito com o eixo integrado, observando que o lado esquerdo da peça só encaixa na posição correta, devido ao sistema de entalhe do eixo, com uma pequena área plana em sua sequência, facilitando a visualização da posição. Instale o parafuso de finalização utilizando a ferramenta de nylon, não precisa apertar muito, com 1,5 Newton de força o braço esquerdo do pedivela desliza pelo eixo com facilidade até seu ponto final, encostado na caixa de rolamento, aperte os parafusos Allen com o torquímetro, fica perfeito de 12 a 14 Newtons e só, já pode colocar a bike pra rodar.

Se você não tem as ferramentas adequadas ou não está seguro de fazer a manutenção em casa, confie sua bike a uma loja ou oficina especializada.

Bom pedal!

<a href="https://pedaleria.com/autor/educapivara/" target="_self">Edu Capivara</a>

Edu Capivara

Edu Capivara é Delegado Internacional do Biketrial no Brasil desde 1991 e introdutor do esporte em meados da década de 80. É amigo pessoal de Pedro Pi, o inventor do Biketrial e de toda a cúpula da BIU (Biketrial International Union) . Profundo conhecedor do mundo da bike, começou suas aventuras em modalidades como o BMX e o Mountain Bike no início desses esportes no Brasil. Já participou de campeonatos mundiais de biketrial pelo mundo todo, inclusive do primeiro, em 1986 na Europa.

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