Conheça os emblemas

Emblemas dianteiros das bicicletas. 

O logotipo do fabricante, hoje um simples adesivo no tubo frontal do quadro, ou com sorte um emblema de plástico, foi por muitos anos uma peça iconográfica com muito significado. Feitas em latão, bronze, alumínio e até ouro e prata, pintadas a mão ou vitrificadas, além de identificar a marca, falavam muito a respeito do fabricante e em alguns casos sobre o importador, distribuidor ou simplesmente a loja que vendia as bicicletas.

Pés alados, figuras femininas com asas, deusas do Olimpo, aves e nomes criativos ou extravagantes foram muito usados a partir de 1900. Mais tarde, máquinas, motores, aviões e arranha céus ganharam espaço na frente das bicicletas em 1930, onde a maioria dos produtos eram destinados ao público jovem.

Emblema Falcon Emblema Alcyon Emblema Sun

Legenda: Da esquerda para a direita, (1) A inglesa Falcon e sua homenagem as olimpíadas. (2) A francesa Alcyon de 1920. (3) Sun Bicycles de 1950.

Esses emblemas apareceram pelo mundo todo, e como nos carros, identificavam as marcas e diferenciavam os modelos de bicicleta, fazendo o velho marketing de varejo. O grande boom dos emblemas aconteceu nos Estados Unidos com a concorrência acirrada entre as marcas Papa Manufacturing e Schwinn, fez nascer várias sub marcas de uma mesma fábrica ou fábricas do mesmo grupo na tentativa de liderar o mercado.

Entre oportunidades e criatividade, algumas marcas são mais práticas do que outras, como a americana Wastyn Cycles por exemplo, que não desenvolveu nenhum logotipo para a frente de suas bikes, mas gravou naquele espaço o endereço de sua loja para que todos soubessem onde comprar as bicicletas da marca em Chicago.

Emblema Schwinn cruiser Emblema Schwinn redondo Emblema Fleet

Legenda: Da esquerda para a direita, (1) O tradicional Schwinn das bikes Cruiser. (2) O emblema redondo, imagem mais atual da marca. (3) Imagem do galgo na frente da Fleet, transmitindo a idéia de velocidade.

Passando uma imagem forte, os proprietários destas bicicletas não estavam apenas se deslocando, usando-as como transporte, estavam “pilotando” uma Cafaro Flyer, Huffy, Admiral ou Zephyr, incrementadas e com cores vibrantes, faróis e manoplas com desenhos arrojados no estilo futurístico da época, acompanhando os desenhos mais esportivos dos carros e aviões daquele período.

img-Cafaro_Flyer Emblema Huffy Emblema Zephyr

Legenda: Da esquerda para a direita, (1) Cafaro, Bikes para o dia a dia, fabricadas em Ohio, Estados Unidos. (2) Huffy, tradição em todo o mundo. (3) Anos 50, a marca Zephyr também tinha óleos lubrificantes.

A moda acabou ou diminuiu muito a partir dos anos 1970, mas algumas marcas européias e asiáticas seguiram por mais alguns anos. Hoje, os emblemas são muito disputados por colecionadores e inúmeras réplicas são fabricadas para atender proprietários de bikes customizadas ou feitas a mão.

Com é feito o emblema?

Existem várias formas de obter o emblema, partindo do desenho aprovado, pode-se estampá-lo na chapa (com matrizes macho e fêmea), gravar a lazer, usiná-lo, esculpi-lo na chapa, como fazem os ourives, eletro erosão em ferramentarias, ou como a grande maioria ainda faz, gravação com ácido.

Utilizando vernizes protetores a base de cera de abelha e betume em pó, que tem a finalidade de proteger as áreas da chapa que não queremos expor a corrosão provocada pelo ácido. O processo pode ser manual, aplicado artísticamente sobre o desenho, na chapa ainda plana, ou em processos mais industrializados, onde o desenho é transferido por silk screen ou flexografia para a chapa, que a seguir é exposta ao ácido e depois curvada, seguindo para a pintura e acabamentos.

Hoje

Poucas marcas ainda usam emblemas salientes, independente do material empregado, e os motivos são muitos, imagine a fabrica que produz um milhão de bicicletas por ano, mesmo que o emblema custasse 1 ou 2 centavos, eliminando esse custo, a economia anual com a peça e os processos envolvidos seria enorme. O motivo pode ser até o peso final do quadro, já que nos modelos top de linha cada grama conta, e a concorrência está de olho.

Nos modelos de Biketrial, alguns fabricantes usam adesivos, emblemas ou “buracos”, nesse esporte tão radical e exaustivo, aliviar peso vale a pena.

Emblema Crewkerz Emblema Tunturi Emblema Pathfinder

Legenda: Da esquerda para a direita, (1) Na Biketrial da Crewkerz, no lugar do emblema, recortes para aliviar o peso. (2) A finlandesa Tunturi com mais de 90 anos de tradição. (3) Emblema Pathfinder desenvolvido pela Schwinn no Pré Guerra.

Emblema Pullman Emblema Caloi 10 Emblema Adaga, brasileira

Legenda: Da esquerda para a direita, (1) O emblema niquelado da Pullman Wheel Works Bicycle de Chicago. (2) Poucas Caloi 10 saíram com emblemas metálicos. (3) Adaga – Marca nacional que circulou por aqui nos anos 50.

Emblema Horse Emblema Cinelli Emblema Azuki

Legenda: Da esquerda para a direita, (1) A portuguesa Horse Cycles utilizava emblema em latão. (2) A famosa Cinelli, muito tradicional no ciclismo Italiano. (3) Emblema japonês da Azuki bem elaborado, lembrando a vestimenta Samurai.

Emblema Quintana Roo Emblema Litespeed Emblema Bianchi

Legenda: Da esquerda para a direita, (1) A Quintana Roo com uma frente bem diferente neste exemplar em fibra de carbono. (2) Litespeed de titânio, com emblema em alumínio. (3) Edoardo Bianchi e sua Fenix Imperial.

Emblema Globe Emblema NEH3A

Legenda: Da esquerda para a direita, (1) Urbanas com visual bem moderno no emblema como esta Globe.(2) Da era CCCP, a Soviética ZIF Pewza Manufacture Bicycle.

Poucas pessoas imaginam que por trás desses símbolos existem motivos, temas e homenagens, procure observar os emblemas das bikes por aí, eles tem muito a dizer sobre as marcas e bicicletas.

Bom pedal.

 

 

 

 

 

<a href="https://pedaleria.com/autor/educapivara/" target="_self">Edu Capivara</a>

Edu Capivara

Edu Capivara é Delegado Internacional do Biketrial no Brasil desde 1991 e introdutor do esporte em meados da década de 80. É amigo pessoal de Pedro Pi, o inventor do Biketrial e de toda a cúpula da BIU (Biketrial International Union) . Profundo conhecedor do mundo da bike, começou suas aventuras em modalidades como o BMX e o Mountain Bike no início desses esportes no Brasil. Já participou de campeonatos mundiais de biketrial pelo mundo todo, inclusive do primeiro, em 1986 na Europa.

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