Correia dentada na bike

Correia dentada é para qualquer bike?

As transmissões por correia dentada ainda são novidade e mito para muitos ciclistas brasileiros, mas no exterior é utilizada em grande escala por fabricantes de bicicletas de todos os portes. As empresas que lideram a fabricação de correias dentadas para a indústria automobilística acreditam e investem no mercado de bicicletas, produzindo produtos de alta tecnologia e com inúmeras vantagens.

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A urbana Vanhawks com kit Gates Carbon Drive, fotografada pela Pedaleria na Interbike 2013 em Las Vegas.

Os primeiros modelos de transmissão por correia dentada utilizavam correias com dentes baixos e achatados, similares aos utilizados nos comandos de válvulas dos automóveis, e aos poucos foram se aperfeiçoando, dando lugar a produtos criados especificamente para bicicletas, utilizando tecnologia e materiais de primeira, encontrados por exemplo na linha Gates Carbon Drive, com correias em fibra de carbono e uretano, que impedem o estiramento nos momentos de tensão mas são flexível e duráveis e já rodaram em testes mais de 100 mil quilômetros em diversos ambientes e situações de estresse. Fabricantes como a Gates e Continental investem pesado nesse mercado em expansão, fabricando também as coroas, Cogs (engrenagem traseira), pedivelas e esticadores de correias.

img-Correia_Dentada_Continental

A Continental não fabrica só pneus, sua linha para bikes conta também com correias, coroas e cogs com a marca Conti Drive System Continental.

Disponíveis para modelos com e sem marchas, as correias dentadas possuem qualidades inquestionáveis se comparadas as correntes normais, duram muito mais, são silenciosas, não requerem lubrificação e são extremamente leves, o conjunto coroa, cog e correia da foto acima não pesa mais que 265 gramas.
Para bikes fixas existem várias opções de relações, com Cogs em alumínio com sistema de encaixe ou de rosca, coroas para todos os tipos de combinações, e para bikes com relação simples (Single Speed), a White Industries fornece catracas com encaixe específico para correia dentada.
Coroas com 4 ou 5 furos e diversos BCDs (espaçamento entre os furos), coroas tipo Direct Mount para pedivelas Sram, Cogs para Shimano, Sram, SureFit, NuVinci e elétricas da Bosch, já são utilizadas por grandes marcas do mercado de bicicletas.
Para bicicletas com marchas as opções atuais são para cubos de marchas internas de 8 a 14 velocidades como Sturmey Archer, Rohloff, Shimano Nexus e Alfine.

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Kit Carbon Drive da Gates, muitas opções de Cogs e coroas para sistemas CDC e CDX.

Hoje é possível encontrar coroas e Cogs nos formatos CDC e CDX. Para passeio é recomendado o formato CDC, que são coroas e Cogs com vãos horizontais retangulares, com chapas laterais que funcionam como guias para a correia. Bikes urbanas, infantis e tandem utilizam este formato.
Para “ação”, é recomendado o formato CDX, com travessas horizontais e aleta central, conhecida como Centertrack, mais durável e resistente a vibrações e desalinhamentos.

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As coroas tipo CDX (direita), são as esportivas do segmento, com desenho mais limpo e sofisticado, podem equipar bikes de várias modalidades.

Não é para todos

Infelizmente as transmissões com correia dentada não são para todos os modelos de bikes, os quadros devem possuir abertura no Chainstay, (tubo fino do quadro que liga o central a roda traseira) para a passagem da correia. Diferente das correntes de aço, invento com 120 anos de idade, as correias dentadas não podem ser abertas, impossibilitando seu uso para quadros normais, onde as correntes de aço podem ser desmontadas e montadas para sua posição de uso. Quadros projetados para uso de correias dentadas tem aberturas desmontáveis nas gancheiras ou Chainstay, permitindo inserir a correia em seus tubos traseiros.
Somente os quadros do tipo Stay Elevado, com tubos que sobem da roda traseira até o centro do Seat Stay (tubo do canote de selim), permitem a montagem do sistema, que fica “flutuando” sem ter que passar por dentro do quadro.

Para os menos observadores e interessados em adquirir o sistema de correia dentada, além do quadro especial, existe a dificuldade em tirar a folga da correia, que deve ter praticamente o tamanho exato da distância entre a roda traseira e o central da bike, nos casos de gancharia com abertura para baixo (bikes com marcha). Na corrente convencional você pode encurtar e alongar seu comprimento, na dentada deve saber a medida em extensão para cada relação, e fazer no máximo pequenos ajustes nos dispositivos especiais de ganheira da roda traseira. Bicicletas com gancheiras abertas para trás tipo BMX ou Cruiser permitem a montagem desde que haja abertura para a correia.

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Sem o recurso de abrir a correia como faríamos com a corrente normal, fica impossível montar o sistema de transmissão com correia dentada.

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Os quadros com Stay Elevado permitem a instalação sistema de correia dentada, pois ela não passa por dentro dos tubos da traseira.

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Quadros concebidos para esse tipo de transmissão, possuem abertura e e também um dispositivo para tirar a folga do correia.

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A constante evolução das bicicletas e componentes abrirá portas para novas idéias, processos e recursos para facilitar e popularizar as transmissões por correia dentada, permitindo que ciclistas desfrutem do conforto e comodidade que este sistema possibilita.
Bom pedal!
<a href="https://pedaleria.com/autor/educapivara/" target="_self">Edu Capivara</a>

Edu Capivara

Edu Capivara é Delegado Internacional do Biketrial no Brasil desde 1991 e introdutor do esporte em meados da década de 80. É amigo pessoal de Pedro Pi, o inventor do Biketrial e de toda a cúpula da BIU (Biketrial International Union) . Profundo conhecedor do mundo da bike, começou suas aventuras em modalidades como o BMX e o Mountain Bike no início desses esportes no Brasil. Já participou de campeonatos mundiais de biketrial pelo mundo todo, inclusive do primeiro, em 1986 na Europa.

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