Cuidado com os fones de ouvido

Os flagrantes de ciclistas pedalando com fones de ouvidos são frequentes. Mas o problema não é o uso dos fones de ouvido em si, mas a forma como são utilizados.

Segundo o código de trânsito, é proibido dirigir usando esse acessório porque obviamente te deixa alheio ao que está acontecendo a sua volta, impossibilitando o motorista de ouvir sirenes, buzinas ou outros alertas sonoros que vem da rua.

Se é proibido e perigoso para um motorista, que tem toda aquela proteção de metal do veículo, imagina o ciclista, super exposto aos perigos.

Todo mundo curte ouvir um som, seja trabalhando, no carro ou na bike, mas no caso da nossa amiga de duas rodas a atenção deve ser redobrada.

Fones muito grandes

É comum vermos o pessoal pedalando com aqueles fones de ouvido gigantes, como se estivessem na frente do videogame ou do computador em casa. Esse é um grande erro e um perigo enorme. Já presenciei de tudo, do cara com sua pick-UP de DJ imaginária ao Steve Harris ciclista numa performance de “air bass” espetacular, ambos montados numa bike e pedalando pela contramão. E o pior é que não dá pra usar capacete com um fone desses na cabeça. :(

Fones de ouvido. Cuidado

Fones de ouvido – Modelo gigante só não é bom pra pedalar com ele.

Esses fones te isolam completamente do mundo exterior, eles são ótimos e possuem uma qualidade de som espantosa, e justamente por fornecer esse isolamento acústico impecável você nunca notará um motorista nervosinho atrás de você, ou uma sirene de ambulância se aproximando, ou ainda uma maluco chegando perto pra tentar roubar sua magrela, ou um grito de atenção, um cachorro latindo perseguindo sua roda, e por aí vai.

Você acaba não prestando atenção nos pedestres e também no funcionamento da sua bike, ou seja, um crec crec pode estar rolando e você correndo riscos se não ouvir isso.

Cuidados ao pedalar com fones de ouvido. Cadê o capacete?

Além de tirar sua atenção, não dá pra usar capacete com esse trambolho da cabeça.

Fones convencionais

Tudo bem, uma coisa temos que concordar. É impossível ficar longe dos nossos celulares e smartphones, e por isso mesmo a gente sempre carrega esses aparelhos conosco até nas pedaladas.

Intrauricular

Modelo de fone confortável, dá pra usar capacete com ele, mas mesmo assim, tira sua atenção do trânsito.

Os fones de ouvido que acompanham esses devices são do tipo intra-auriculares, se encaixam bem na orelha, mas quando usados aos pares ocasionam os mesmos problemas que citamos até agora, ou seja, independente do volume que a música está, você não vai prestar a atenção devida no trânsito.

O melhor a fazer, se você não dispensa uma boa música enquanto pedala é usar o fone de ouvido em apenas uma orelha. Aquele fone que possui o microfone pode ficar encaixado na orelha e o outro enfiado dentro da camiseta. Dessa maneira você consegue ouvir sua música, desde que num volume moderado, sem perder a atenção no que está acontecendo ao seu redor. Se o telefone tocar, encoste em lugar seguro e atenda, como se estivesse em um automóvel. A regra é a mesma.

Em NY presenciei um policial solicitando a um ciclista que retirasse o fone de ouvido de uma das orelhas, caso o ciclista não soubesse, era uma lei do Estado de Nova York. Como seria no Brasil? Será que as autoridades de trânsito estão capacitadas para lidar com isso?

Modo correto de usar um fone de ouvido

Usando o fone em uma das orelhas, você deixa a outra livre pra ser o seu radar. Mas não adianta botar o volume no talo!

Lembre-se, se você está na rua, ou você é pedestre ou é motorista, não importa o veículo, você tem que seguir as regras e o bom senso para evitar acidentes. Gentilezas são sempre bem-vindas, e convenhamos, com os ouvidos tapados a probabilidade de não haver gentileza é muito grande.

É isso aí pessoal, vamos pedalar com responsabilidade e respeito.

Abraço

 

<a href="https://pedaleria.com/autor/educapivara/" target="_self">Edu Capivara</a>

Edu Capivara

Edu Capivara é Delegado Internacional do Biketrial no Brasil desde 1991 e introdutor do esporte em meados da década de 80. É amigo pessoal de Pedro Pi, o inventor do Biketrial e de toda a cúpula da BIU (Biketrial International Union) . Profundo conhecedor do mundo da bike, começou suas aventuras em modalidades como o BMX e o Mountain Bike no início desses esportes no Brasil. Já participou de campeonatos mundiais de biketrial pelo mundo todo, inclusive do primeiro, em 1986 na Europa.

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