Qualquer bike cara ou barata pode ter problemas nas trocas de marcha, barulhos irritantes, corrente pulando e até em alguns casos, não fazem a mudança nas marchas. E é aquele negócio, sempre acontece no pior local possível, aquela subida infernal que você não está aguentando fazer naquela marcha mais pesada. O problema pode ter origem na transmissão (corrente, coroas e catraca/cassete), na gancheira torta ou desalinhada, nas alavancas de mudança, nos conduites secos ou amassados ou simplesmente por causa do estiramento excessivo dos cabos.
Vamos identificar então?
Transmissão
Verifique se a corrente está com os elos gastos, presos ou sujos demais. Coroas e catraca/cassete (conjunto de pinhões desmontáveis) podem apresentar folgas e desgaste excessivo nos dentes por exemplo.
Gancheira torta
A gancheira é a parte do quadro da bike onde o câmbio traseiro é fixado, alí pertinho onde a roda encaixa. As bikes mais populares tem essa parte fixa, já as bicicletas mais atuais ou as mais caras, possuem gancheiras substituíveis.
Nos dois casos, essa peças pode ser alinhada com a ferramenta certa – o alinhador de gancheira. Quando torta, o câmbio não pode realizar mudanças suaves, pois o alinhamento de todo o conjunto está prejudicado, trabalhando torcido. Se você observar, o câmbio traseiro movimenta a corrente por vários centímetros, permitindo o engate de todas as marchas da catraca ou cassete múltiplo, que possuem de 6 a 10 engrenagens, dependendo do ano ou modelo da peça.
Alavancas de mudança
Existem vários modelos e termos para se referir ao equipamento que faz a mudança de marcha quando acionado. Alavancas simples como o “shifter“, sistema indexado com botões por cima ou por baixo das alavancas de freio, ou o sistema giratório, que lembra o acelerador de uma moto, podem apresentar defeito, ou folga nos seus mecanismos internos.
Conduite e cabos
Os conduites são capas flexíveis que conduzem os cabos de aço das alavancas de mudança até os câmbios. Funcionam melhor se estiverem íntegros e lubrificados. Um conduite torto (vincado), ou seco com muito atrito pode reter o cabo de aço impedindo que deslize e efetue a mudança de marchas. O mesmo vale para o estado dos cabos, que se estiverem tortos, com vincos ou desfiando nas pontas, impedirão o movimento natural de deslizar por dentro do conduite.
Esticamento dos cabos
Cada “click” na alavanca de mudança faz o cabo e o câmbio avançarem alguns milímetros deslocando a corrente entre as coroas ou na catraca, realizando a troca de marcha. Cabos frouxos não podem levar a corrente até o ponto onde a troca acontece. A maioria das alavancas de mudança possuem esticadores de cabo – parafuso anexo a elas, por onde saem os conduites.
Girando esses parafusos no sentido anti-horário, podemos esticar os cabos, mas atenção, vá aos poucos, se der muitas voltas, as marchas começarão a pular, ou seja, começam a ter vida própria e trocar sozinhas. Os câmbios traseiros também possuem esse tipo de esticador, então, no caso da regularem desse câmbio, é possível fazer o ajuste nas alavancas ou no próprio câmbio, mas caso o seu não tenham esses recursos, será necessário soltar o cabo em sua fixação, usando uma chave Allen 5 ou chave de boca 10 mm caso o cabo esteja folgado.
Ahhhh, verifique também se os seus câmbios estão atendendo a todas as marchas, pois neles existem parafusos que limitam o avanço do câmbio, ou seja, limitam o quanto essa peça pode avançar sem que a corrente caia.
Conheça mais a sua bike, leia sempre os manuais e as nossas dicas e tutoriais, mas vá devagar, experimente cada ajuste para não se perder e acabar ficando mais P da vida e com a bicicleta toda desregulada.
Tenha sempre uma oficina e um mecânico de confiança, é a melhor maneira de deixar a magrela sempre em dia sem preocupações ou riscos pra você e pra ela, é claro.
Ótimo texto, totalmente didático até para iniciantes no esporte, como eu.