Guidões e avanços

Guidão e avanço – tamanhos e ângulos

Ao observarmos as mountain bikes notamos diversos tipos de guidões e avanços, com alturas e ângulos diversos, curtos, longos, negativos e positivos, mas afinal porque existem tantos tipos de avanços e guidões?

Para entender melhor essa questão é necessário abordar bike fit e tamanho das rodas, pois as bikes aro 29” por exemplo, elevam o conjunto avanço/guidão em quase 8 centímetros (3 polegadas a mais se comparado às bike 26”), por isso é comum vê-las com avanços negativos (mesa invertida, onde o guidão fica para baixo).

As diferenças físicas entre as pessoas também contribuem para a existência da grande quantidade de medidas e ângulos desses componentes, pois é fácil notar o gradativo aumento do avanço nas bikes de um mesmo modelo mas com tamanhos de quadros entre o 15 e o 21 polegadas. A pesar disso, o correto é fazer o Bike Fit, avaliação e ajustes da postura do ciclista na bicicleta, já que ciclistas da mesma altura podem ter pernas e braços de tamanhos diferentes, exigindo diferentes acertos de postura na bicicleta.

No bike fit é avaliada a postura, tamanho do tronco e dos membros, tipo de pilotagem (no caso dos profissionais), distância entre os ísquios, ossos que constituem a zona inferior da pélvis (quadril) e que apoia o corpo quando estamos sentados, posição e altura do selim, etc, corrigindo e modificando tudo o que é possível para que o ciclista tenha mais conforto ao pedalar, eliminando dores e danos sofridos por pedalar bikes de tamanho errado ou sem o “ajuste fino” proporcionado por ele.

Avanço ajustável, usado para descobrir o melhor tamanho/ângulo da mesa para instalar o guidão.

Avanço ajustável (ferramenta do Bike Fit), usado para descobrir o melhor tamanho/ângulo da mesa para instalar o guidão.

Guidão

Hoje em dia temos vários tipos de guidões, com alturas e curvaturas diferentes permitindo uma série de posturas que atendem usuários e modalidades diferentes. Existem dois termos para descrever os ângulos dos guidões, o Up Sweep é movimento para cima, o quanto as pontas são inclinadas para cima, também conhecido como “quanto ele varre”, e o Back Sweep, que representa o recuo para trás, aquela curvatura suave que possibilita conforto ao segurar no guidon, sem ter problemas nos pulsos, como inflamação de nervos e tendões.

Estes são os termos para identificar as características dos guidões.

Estes são os termos para identificar as características dos guidões.

Modalidades como o All Mountain, Down Hill e Biketrial, utilizam guidões bem largos, com medidas entre 70 e 78 centímetros, enquanto os de Cross Country (XC) ficam entre 58 e 67 centímetros, podendo ser Flat (quase reto), ou Riser (com curvas elevatórias).

O guidão modelo reto é chamado de Flat, os curvos e mais altos são chamados de Riser.

O guidão modelo reto é chamado de Flat, os curvos e mais altos são chamados de Riser.

img-Guidao_Reto_Errado

Observe a curvatura das mãos em um guidão reto (sem Back Sweep) a posição dos punhos não é natural e sujeita a constantes inflamações de nervos e tendões.

img-Guidao_Curvo_Correto

A maioria dos guidões possuem orientações para corte, já que os modelos estão cada vez mais extensos.

A maioria dos guidões possuem orientações para corte, já que os modelos estão cada vez maiores.

Informações como tamanho, ângulo, altura da curva e diâmetro da fixação estão disponíveis nos modelos mais elaborados.

Informações como tamanho, ângulo, altura da curva e diâmetro da fixação estão disponíveis nos modelos mais elaborados.

A diferença de tamanho do guidão da Biketrial para o gudião da XC pode ser conferida nesta imagem.

A diferença de tamanho do guidão da Biketrial para o gudião da XC pode ser conferida nesta imagem.

Avanços

Além dos avanços (ou mesas) positivos, zero e negativos, projetados para serem usados em posição única, existem também os “dupla-face”, possibilitando o uso invertido sem o inconveniente de ficar com os dizeres de cabeça para baixo.

As medidas e ângulos podem variar de acordo com a modalidade, como por exemplo o All Mountain e o Down Hill, que utilizam avanços bem curtos e com poucos graus de inclinação (50mm X 6º), ao extremo, no caso do Biketrial, com um avanço longo e bem de pé (150mm X 120º).

A grosso modo, a altura do avanço pode mudar muito a característica da bicicleta, pois o corpo do ciclista fica avançado ou recuado, onde avanços baixos (negativos ou zero grau) forçam o ciclista a andar mais rápido, pois a postura favorece, já os avanços altos das bikes de passeio, não trazem postura confortável para pedalar rápido em pé (sprint), pois não é possível colocar força nesta posição, onde puxamos o gudião socando o pé no pedal, conseguindo ótima alavanca.

As medidas mais comuns de avanços são 50mm, 75mm, 100mm e 120mm, e os ângulos zero, 6º, 8º, que na inversão ficam negativos, e podem ser encontrados de -8º a +80º.

Na maioria dos avanços, informações como comprimento e ângulo estão evidentes.

Na maioria dos avanços, informações como comprimento e ângulo estão evidentes.

Atualmente os avanços são projetados para serem usados em duas posições, podendo ficar postivos ou negativos nas bikes.

Atualmente os avanços são projetados para serem usados em duas posições, podendo ficar postivos ou negativos nas bikes.

A partir de 50mm, as opções de comprimento aumentam entre 5 e 10 milímetros e os ângulos podem variar de -8º a + 80º.

A partir de 50mm, as opções de comprimento aumentam entre 5 e 10 milímetros e os ângulos podem variar de -8º a + 80º.

Com várias opções de tamanhos e ângulos, avanços de alumínio e carbono estão disponíveis no mercado nacional.

Com várias opções de tamanhos e ângulos, avanços de alumínio e carbono estão disponíveis no mercado nacional.

Leves e bem elaborados, guidões e avanços são itens de desempenho e segurança nas bicicletas, portanto escolha os seus com atenção, se surgirem dúvidas consulte um profissional do Bike Fit ou vendedor capacitado.

Bom Pedal!

 

 

 

 

<a href="https://pedaleria.com/autor/educapivara/" target="_self">Edu Capivara</a>

Edu Capivara

Edu Capivara é Delegado Internacional do Biketrial no Brasil desde 1991 e introdutor do esporte em meados da década de 80. É amigo pessoal de Pedro Pi, o inventor do Biketrial e de toda a cúpula da BIU (Biketrial International Union) . Profundo conhecedor do mundo da bike, começou suas aventuras em modalidades como o BMX e o Mountain Bike no início desses esportes no Brasil. Já participou de campeonatos mundiais de biketrial pelo mundo todo, inclusive do primeiro, em 1986 na Europa.

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